Praça Victor Civita

De lixão, à praça da sustentabilidade!

Com a Praça Victor Civita, terreno contaminado é recuperado e revitaliza espaço público, com grande número de equipamentos de lazer e exercícios. Programas da praça incluem atividades educativas voltadas à reciclagem e à proteção ao meio ambiente.

Um grande deque sustentado por estrutura metálica impede o contato com o solo contaminado. A Praça possui uma área verde com cerca de 80 árvores; um palco para espetáculos com arquibancada coberta para 300 pessoas; equipamentos de ginástica ao ar livre; pista de caminhada e centro de convivência para a terceira idade.

> Projeto arquitetônico: Levisky
Arquitetos | Estratégia Urbana
> Área construída: 2.650 m²
> Área do terreno: 13.648 m²
> Aço empregado: ASTM A572 GR50
> Volume do aço: 135 t
> Projeto estrutural: Heloisa
Maringoni / Companhia de Projetos
> Fornecimento da estrutura metálica:
Jodi Estruturas Metálicas
> Execução da obra: Even Construtora
> Local: São Paulo, SP
> Data do projeto: 2006/2007
> Conclusão da obra: 2008

Em parceria com o Instituto Abril, a Prefeitura de São Paulo inaugura a Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade. Instalada no terreno onde funcionava o antigo incinerador de Pinheiros, a Praça é um presente à cidade que ganha não apenas uma nova área de lazer, mas também a recuperação de um espaço degradado por anos de acúmulo de resíduos tóxicos.

O projeto teve início em 2006, quando a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Abril, assessorados por Levisky Arquitetos, firmaram parceria para viabilizar a recuperação do antigo incinerador. Como tantas outras propriedades industriais, o terreno encontrava-se em profundo estado de degradação, exemplo do grande desafio urbanístico que as grandes metrópoles enfrentam.

Com base nessa questão, Adriana Levisky e Anna Dietzsch criaram um projeto com soluções que se apropriam da temática de modo positivo, focando o problema e ao mesmo tempo mostrando como superá-lo. As arquitetas buscaram utilizar, tanto quanto possível, alternativas ecológicas e sustentáveis para a Praça Victor Civita.

O escritório utilizou o aço de forma intensiva para criar uma estrutura suspensa sobre o terreno contaminado pela incineração de medicamentos e pelo armazenamento de lixo.

“O aço fez parte de todas as edificações, desde a fundação e estruturação do piso da Praça, passando pelas novas instalações e até as intervenções nos elementos estruturais existentes”, destaca a arquiteta Adriana Levisky.

A Praça Victor Civita está instalada em uma área com mais de 13,6 mil m2, no qual um deque de 1.800 m2 dá acesso a várias edificações: uma arena coberta para eventos, ao Museu da Reabilitação, implantado no edifício do antigo incinerador, ao Centro da Terceira Idade, à Oficina de Educação Ambiental, ao Núcleo de Investigação de Águas e Solos subterrâneos e à Praça de Paralelepípedos. As atividades realizadas nestes equipamentos contribuem para a diversificação do uso público do espaço e para a disseminação de conhecimentos ligados à sustentabilidade.

Praça-barco

De acordo com a arquiteta, devido ao uso anterior do local e pelo fato de cinzas contaminadas do incinerador terem sido ali enterradas, não era possível remover os materiais e o contato com o solo deveria ser mínimo. Na verdade, foi preciso isolar o solo contaminado com uma nova camada posta sobre a anterior. A área também contava com árvores de raízes espalhadas e um solo característico da várzea do Rio Pinheiros. Devido a estas circunstâncias, a Praça teve uma característica única: configura uma plataforma elevada flutuando sobre o solo, sem no entanto tocá-lo. Para isso, foram utilizadas estacas e vigas metálicas.

“Os caminhos do deque de madeira se conectam ao piso elevado de concreto, também sobre estrutura metálica, e no mesmo nível, levando às demais edificações e complementando o programa de atividades da Praça”, explica Adriana Levisky. Segundo ela, a estrutura em aço facilitou tanto a modulação do projeto, quanto o apoio do deque de madeira, material escolhido para a maior parte do piso. Para os elementos arquitetônicos sobre a Praça, a arquiteta destaca a obtenção de grandes vãos e formas arquitetônicas diferenciadas com o uso do aço.

A cobertura do auditório tem vão livre de 10,5 m e balanço frontal de 6,3 m. Já a arquibancada tem cobertura com vão livre de 20 m e 6,5 m de balanço frontal. Em ambas foram utilizadas treliças compostas por perfis tubulares, com diâmetros de 168 mm e 88 mm, e perfis de chapa dobrada. Na estrutura do deque foram utilizados perfis laminados com alturas de 150 mm e 250 mm. Por fim, os  abrigos têm balanços de 3,3 m, compostos por perfis de altura variável e perfis de chapa dobrada. Além destes, os demais edifícios receberam reforços e complementos, tais como escadas e mezaninos em aço.

Paisagismo

Além de todas as interferências do ponto de vista técnico para a recuperação do terreno e instalação de um espaço público sustentável, o projeto paisagístico também foi elaborado de acordo com princípios rigorosos. Assinado pelo
arquiteto paisagista Benedito Abbud, baseia-se no Termo de Referência para a recuperação de áreas degradadas, desenvolvido pelos órgãos ambientais da Prefeitura de São Paulo.

Em toda a Praça foram plantadas diferentes espécies originais da flora paulista. O local dispõe, ainda, de espaço para compostagem e uma horta circular, atividades que integram o programa de educação ambiental realizado com crianças e exibido ao público. Também integra o programa o plantio de culturas, a exemplo do algodão e do milho, acrescido de outras questões como as relativas à eficiência energética.

O projeto foi elaborado a partir de premissas sustentáveis visando a redução de entulho, baixo consumo de energia, utilização de materiais reciclados, legalizados e certificados, reuso de água, aquecimento solar e manutenção da permeabilidade do solo. Abaixo, imagem do deque que se estende na diagonal do terreno, propondo um percurso que enfatiza a perspectiva natural do espaço e convida o usuário a percorrer os caminhos da Praça. Os percursos oferecidos no Museu Aberto, com proposta extremamente educativa, trazem informações sobre as técnicas e tecnologias adotadas no projeto, bem como soluções de recuperação e remediação de áreas contaminadas.

Como o casco de um grande barco, o deck se desdobra do plano horizontal ao vertical com formas curvilíneas, criando ambientes que se delimitam pela tridimensionalidade da forma, grandes “salas urbanas” que diversificam e incentivam o uso público do espaço.

Este deck, suspenso a aproximadamente 1,00 m do nível do piso existente, leva o usuário a um passeio pelo conhecimento de processos ligados à sustentabilidade, como a certificação da madeira, laboratório de plantas com espécies em pesquisa para produção de biocombustíveis, hidroponia, renovação de solos, fitoterapia e engenharia genética. Também conduz ao conhecimento de sistemas orgânicos para o reuso de águas pluviais e servidas, adotados no funcionamento da praça, além do racionamento energético alcançado com a utilização de placas solares.

Sustentabilidade econômica

Através de parceria público-privada, a gestão privada viabiliza a transformação e reabilitação do espaço para uso público. Usos públicos, como espetáculos, exposições e cursos, tornam o empreendimento auto-sustentável. A gestão da praça ocorrerá com a participação de parceiros “Amigos da Praça”.

Sustentabilidade cultural

O projeto busca usar o espaço como catalisador de desenvolvimento comunitário, cultural e educacional, oferecendo acesso a programas como a Arena Coberta, os Museus da Reabilitação, o Centro da Terceira Idade, a Oficina de Educação Ambiental, o Núcleo de Investigação de Solos e Águas subterrâneas, a Praça de Paralelepípedos e o Museu Aberto da Sustentabilidade. Para isso conta com a parceria de instituições como Verdescola, CETESB, GTZ e MASP.

Sustentabilidade Ecológica

Através da parceria com instituições como o IPT, CETESB e GTZ, a Praça Victor Civita apresenta uma oportunidade de investimento na pesquisa de temas ligados à sustentabilidade, como a certificação da madeira, laboratório de plantas, uso de sistemas orgânicos para a reciclagem de água e racionamento energético.

DESENHOS TÉCNICOS:

FOTOS:

Característica principal do projeto

Praça-museu: fruto de parceria público-privada firmada através da arquitetura como ferramenta de consolidação de termo de cooperação. Projeto propõe a reabilitação de área contaminada a partir da implantação de deck de madeira legalizada sobre estrutura metálica reciclada configurando percursos educativos sobre tecnologias sustentáveis; sistemas de reuso de água; energia solar; produção de bio‐energia; processos de descontaminação de solos e águas subterrâneas.

Fontes:

Arcoweb - Praça Victor Civita: Museu Aberto da Sustentabilidade, disponível em : http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/levisky-arquitetos-associados-praca-victor-17-06-2008.html


Extraído de Revista Arquitetura e Aço, uma publicação do CBCA (Centro Brasileiro de Construção em Aço), pela Editora Roma  - Revista Arquitetura e Aço, Edição 30 - Especial Construção Sustentável - Junho/ 2012 Para saber mais acesse: http://www.cbca-acobrasil.org.br/ Acesse as publicações gratuitas em http://www.cbca-acobrasil.org.br/revista-arquitetura-e-aco.php

Vitruvius - Praça Victor Civita: Museu Aberto da Sustentabilidade, disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/09.106/2983

Archdaily Brasil - Praça victor Civita, disponível em: http://www.archdaily.com.br/10294/praca-victor-civita-espaco-aberto-da-sustentabilidade-levisky-arquitetos/
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