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Refugiados das Mudanças Climáticas

REFUGIADOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

 

1.Os modelos climáticos

 

Sabemos quais são as consequências das mudanças climáticas, mas não quando e com qual intensidade elas irão nos atingir. Para isso, temos uma importante ferramenta desenvolvida pelos pesquisadores do clima: são os modelos científicos climáticos.

Um modelo científico climático é um sistema, geralmente computadorizado, onde são inseridos dados colhidos de tempos em tempos sobre as alterações do clima. Com esses dados, o computador estipula um resultado para daqui a algum tempo.

O modelo científico produz uma representação gráfica que ajuda a analisar e predizer fenômenos ou processos nas mudanças do clima.

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A comparação entre os resultados do modelo e observações

http://www.skepticalscience.com/translation.php?a=15&l=10

 

Através de dados colhidos, são produzidos relatórios gráficos e legendas sobre futuros acontecimentos, em uma data determinada para o sistema calcular.

Porém, os modelos climáticos podem sofrer alterações nos resultados se houver alguma intervenção na base dos dados. Uma pequena alteração em um dos dados inseridos pode resultar em amostras totalmente diferentes.

No mundo hoje há poucos países que lideram as pesquisas em modelagem climática. A maioria deles no hemisfério norte do planeta. A Austrália era o único país do hemisfério sul que possuía essa capacidade, mas abandonou seus esforços e optou por adaptar um modelo britânico existente.

O Brasil acaba de ocupar esse espaço vazio através do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia para Mudanças Climáticas. Os modelos apresentados por outros países levam em consideração apenas características próprias do hemisfério norte do globo. A contribuição brasileira trará novos dados sobre o hemisfério sul e em particular sobre a América do Sul, e que fará parte no futuro, de um sistema único mundial. Além disso, o país deu um importante passo, com a capacidade de prever a extensão do gelo marinho em qualquer parte do planeta.

Esses modelos poderão nos dizer que populações serão mais atingidas, quando e com que intensidade, fazendo com que governos tomem as medidas cabíveis para o deslocamento e abrigo dos habitantes de áreas afetadas.

 

2.As migrações forçadas

 

Em fevereiro de 2014, o vulcão Sinabung, na Indonésia, entrou em erupção. Como resultado, cerca de 100 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, mas voltando depois de algumas semanas.

 

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Um vulcão entrou em erupção na ilha indonésia de Sumatra, engolindo aldeias em cinzas e matando pelo menos 14 pessoas.

Monte Sinabung expeliu gás quente, cinzas e rochas a 2 km (1,5 milhas) para o ar em uma série de erupções durante uma manhã.

http://www.bbc.com/news/world-asia-25999333

O Que acontece é que os desastres naturais afugentam as pessoas por um certo tempo até o ambiente se restabelecer, enquanto os desastres ou efeitos das alterações climáticas de longo prazo acabam por resultar em migrações permanentes.

Entre as principais causas de deslocamento permanente dessas populações estão o aumento da temperatura e a variação nos índices de chuva. Isso ocorre quando uma população é dependente da criação de gado ou da agricultura, e com a falta de chuva, ocorre a desertificação de algumas áreas do planeta, impossibilitando colheita ou pastagem para gado.

As populações de lugares afetados pelas mudanças climáticas não acreditam que os desastres provenientes dessa alteração vá passar, como a erupção de um vulcão por exemplo, ou uma tempestade tropical. Essa migração já é vista nos pequenos países insulares do Pacífico Sul, que já negociam uma migração definitiva para a Nova Zelândia, por causa de mais uma consequência das mudanças climáticas, o aumento do nível do mar.

Na Indonésia, país que sofre bastante com as consequências das mudanças climáticas, cerca de 40% da população depende da agricultura e muitos vivem em regiões costeiras, altamente vulneráveis ao aumento do nível do mar.

 

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Os efeitos da mudança climática pode gerar imigração. Até 15% das terras aráveis ​​no mundo

poderão ser perdidas,com 5 milhões de pessoas afetadas.

http://www.portugues.rfi.fr/geral/20140331-mudancas-climaticas-elevam-riscos-de-fome-e-de-conflitos-diz-ipcc

 

A desertificação no norte da África também está provocando a migração de milhares de pessoas que estão indo para o sul da Europa. Neste caso, a resistência a receber os africanos ainda é uma barreira, pois eles aceitam trabalhar em condições desfavoráveis, o que prejudica o emprego da população local.

O aumento da temperatura da água do mar também provoca migração de populações costeiras que vivem da pesca. A água ais quente faz com que o nível de CO2 e a acidez dos oceanos amente, afugentando ou matando espécies de peixes que eram a principal fonte de economia local.

 

3.Impactos ambientais das migrações

De acordo com o Institute for Public Policy Research, o impacto das migrações podem afetar 8 dimensões dentro de uma sociedade:

 

-Economia                                       -Gênero                                       -Assistência

-Ensino                                             -Social                                         -Ambiental

-Saúde                                               -Governo

 

Vamos descrever o impacto sobre o meio ambiente em 3 itens:

a-Comportamento ambiental individual – os imigrantes e repatriados podem desenvolver, no país que os acolhe, a conscientização relativa aos desafios ambientais e levar a população local a um comportamento adequado mostrando através deles mesmo, os impactos das mudanças climáticas.

b-Política ambiental governamental – pressão dos imigrantes sobre o governo local para que promovam a sustentabilidade ambiental, já que mais recursos serão consumidos por uma população maior.

c-Tecnologias – os imigrantes podem introduzir e difundir tecnologias que afetam o meio ambiente, de forma positiva ou negativa, capazes de reduzir ou provocar mais poluição. Isso dependerá de o quanto a imigração foi sentida por eles.

 

4.Em quanto tempo deve ocorrer a imigração?

Não há um parâmetro geral de imigração que possa ser adotado para todos os prejudicados. O tempo necessário para evacuar uma grande população é diferente do tempo restante que ela tem para deixar o lugar.

Vamos falar por exemplo, de grandes áreas que estão sofrendo com o aumento do nível do mar. É lento, mas ocorrerá com certeza a perda de vilas e costas inteiras, mas aquela população tem tempo para se planejar e se deslocar.

Outras áreas sofrem com tempestades cada vez mais frequentes, como algumas cidades históricas de Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no Brasil. Vilas que repousavam sob encostas de morros estavam vindo abaixo, desmoronando. Sem a estrutura firme dos morros, não havia possibilidade de reocupação ou de retorno. Neste caso, a migração foi feita em pouco tempo com acontecimentos rápidos e catastróficos.

Então são necessários 2 tipos de planejamento : de longo prazo (meses até décadas) para retirada de populações, incluindo sua inserção e repatriamento em outras localidades ou nações e outro, de curto prazo, para eventos catastróficos que exijam evacuação imediata sob risco de morte das pessoas presentes.

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Áreas ocupadas irregularmente por refugiados climáticos podem sofrer de síndrome de favelização,

com falta de sanemanento básico, comida e água. Além do qual, há uma expansão de vetores de doenças.

http://www.onu.org.br/rio20/tema/mudancas-climaticas/

5.O destino dos refugiados das mudanças climáticas

Se uma nação possui uma grande extensão de terra, é bem provável que algumas áreas sejam mais afetadas pelas mudanças climáticas que outras. Então é possível que não seja necessária a migração para outro país, visto que acarretaria em uma dificuldade de adaptação maior.

Claro que a população sentirá uma grande mudança em sua rotina, mas ainda se sentirá em casa permanecendo em seu país de origem, o que lhes dá certa segurança e conforto para transpor os obstáculos da adaptação.

Quando tratamos de pequenas localidades, como os países insulares do sul do Pacífico, os eleitos das mudanças climáticas são sentidas em todo o território, do aumento do nível do mar até as tempestades ou ondas de calor e seca/ desertificação.

Então neste caso, recorremos a um deslocamento que envolve repatriamento em outro país. O ideal é seguir para um país de mesmo idioma, e que necessite de mão-de-obra. Tratarei a questão da mão-de-obra mais adiante.

 

6.Responsabilizando os emissores de CO2

Apontar responsáveis pelas mudanças climáticas é apontar para os países mais poluentes. Se eles devem ser responsabilizados pela migração de populações inteiras que sofrem os efeitos do clima?

Estudamos neste curso a questão da soberania, que trata de um país decidir o que acontece dentro do seu território. E quando a sua economia passa a prejudicar o clima global e afetar outras populações?

A obrigatoriedade de resposta a isso nunca virá de boa vontade por parte dos USA, China, Inglaterra e outros poluidores em potencial. Estão aí os acordos, inclusive econômicos envolvendo o comércio de emissão de carbono, em que esses países pagam pela poluição. Esses valores podem ser revertidos à países que recebam os imigrantes refugiados, a fim de evitar maiores impactos em sua economia.

Há grandes emissores de poluentes com grandes extensões de terra e que poderiam abrigar os refugiados das mudanças climáticas sem se preocuparem com a sobrecarga de seus centros urbanos, uma vez que poderiam criar novos núcleos urbanos planejados, geradores de emprego e renda e que contribuam com a economia local, dentro lógico, de um conceito de cidade sustentável.

A decisão de quem deve receber os refugiados deve partir de cada país emissor e do quanto eles acreditam serem os responsáveis pelo deslocamento desses povos devido às mudanças climáticas.

Contudo, além de ceder território para refugiados, há uma análise que envolve a autonomia de deslocamento deles, se eles terão capacidade de realizar sua própria mudança, o que vai acontecer provavelmente para uma grande distância. Por questões econômicas, muitas populações não teriam condições financeiras de sair sequer de sua localidade, tampouco para outra nação.

Acredito, e isso é uma opinião pessoal, que os países mais poluentes devem ser acrescidos de uma taxa por emissão de carbono que seja utilizado não para a mitigação, quando não é mais possível, mas sim para adequar a migração dos refugiados, incluindo planejamento de núcleos de moradia, saneamento e investimentos em geração de emprego e renda.

No entanto, quando falamos de repatriamento dessas pessoas, observamos que haverá muita diferença social, e até mesmo de tolerância por parte da população local. Isto é o receio de que esses novos habitantes venham a ocupar cargos de empregos que antes se destinavam apenas aqueles moradores nativos.

Quando o abrigo dos refugiados é feito por um país grande poluente, os direitos igualitários de moradia e emprego devem ser assegurados, assim como possuíam em sua terra natal. É quase um dever dos grandes emissores de carbono remediarem de forma digna as consequências sentidas pelos imigrantes.

Nos países menores, ou menos poluentes, e que abriram suas fronteiras para os refugiados de situações de mudanças climáticas, encontraremos com certeza conflitos entre a mão-de-obra local e a recém chegada.

Da parte de se tornar um legítimo repatriado, devem incluir o direito ao voto, que fará muita diferença se os imigrantes pesarem na contagem dos votos e puderem escolher candidatos políticos que possuam uma visão ambiental sustentável.

7.Os impactos econômicos da migração

Vamos primeiro listar alguns impactos econômicos devido à migração nos países que estão à perder a sua população. De acordo com a organização Observatory on MIgration, o deslocamento de parte da população pode apresentar resultados vezes positivos e vezes negativos, a saber:

-Falta de mão-de-obra: ao passo que pode haver escassez de mão-de-obra, a que estiver disponível receberá maiores investimentos, com acentuado aumento de salário. Porém, se uma parcela da população restante não possuir habilidades específicas, poderá aquele país a ser afetado em sua agricultura, pesca e pecuária, principal fornecedores de alimentos.

-Falta de investimento: empresas podem fechar as portas, o PIB despencará e haverá falta de postos de trabalho ou redução salarial (ou aumento para manter a mão-de-obra ou a redução para evitar falência).

-Mudança econômica: com postos de trabalho em aberto, pode haver a mudança na área de atuação.

Para os países que estão a receber os imigrantes, os índices econômicos do Observatory nos mostram impactos nos seguintes itens:

-Desemprego: o país receptor pode perceber um aumento no desemprego da população nativa, uma vez que os imigrantes aceitam a trabalhar em condições mais desfavoráveis e por salários mais baixos.

-Aumento nas taxas de consumo: o mercado de consumo observará um crescimento no número de pessoas economicamente ativas, advindo dos imigrantes.

-Mudança estrutural econômica: a migração de povos pode promover a atividade econômica capitalista, como alternativa e transição de uma economia de subsistência para uma econômica monetária.

-Aumento do PIB: considerando já uma porcentagem dos imigrantes egressos no mercado de trabalho, vemos um aumento no fluxo das movimentações econômicas internas e aumento do PIB do país receptor.

-Aumento na taxa de tributações: com o aumento no índice de compra de bens de consumo, há uma elevação nas taxas, embora isso dependa da politica econômica adotada pelo país receptor.

Todos os fatores apresentados levam em consideração o deslocamento permanente, o que de fato implica em permanentes alterações econômicas e ambientais.

Concluímos que os maiores impactos serão sentidos na economia, vezes de maneira positiva, outra negativa, seguido de impactos na adaptação dos refugiados que devem receber todo o apoio para seu deslocamento e assentamento com dignidade e conforto.

 

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Pesquisadores defendem política internacional para o deslocamento de populações ameaçadas pelas mudanças climáticas e o reconhecimento oficial da categoria de refugiado do clima. Estimativas da ONU apontam que até 2050 o mundo terá 250 milhões de migrantes climáticos.

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/10/mais-atencao-aos-migrantes-climaticos

 

Quanto a nós, devemos ter a conscientização que, se fazemos parte desse sistema de nações com alto índice de emissão de carbono, devemos ter a tolerância e ajudar na adaptação das pessoas refugiadas devido aos impactos no clima, provocados pelos nossos hábitos e costumes com relação ao meio ambiente.

 

http://www.archdaily.com.br/br/01-126374/a-influencia-das-mudancas-climaticas-sobre-a-pobreza-urbana
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/10/mais-atencao-aos-migrantes-climaticos
http://www.onu.org.br/rio20/tema/mudancas-climaticas/
http://www.skepticalscience.com/translation.php?a=15&l=10
http://www.acpmigration-obs.org/sites/default/files/PT-Indicators.pdf
http://www.tv-justica.blogspot.com.br/2010_09_05_archive.html
http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=729327
http://www.undp.org/content/dam/undp/library/Environment%20and%20Energy/Water%20and%20Ocean%20Governance/Oceans%20and%20Coastal%20Area%20Governance/PublicationFINAL1.pdf
http://www.nossofuturoroubado.com.br/arquivos/fevereiro_10/impacto.html
http://www.actoncopenhagen.decc.gov.uk/en/ambition/evidence/4-degrees-map/
http://tcktcktck.org/
http://www.theclimategroup.org/_assets/files/DECC-International-Climate-Change-Action-Plan.pdf
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Futuro mapa do Metrô de São Paulo

Mapa elaborado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo, CPTm e EMTU, em conjunto com o PITU (Plano Integrado de Transporte Urbanos) de 2032 para a Capital de São Paulo.

 

mapafuturoFonte: Foto-reprodução Pessoal

Praça Victor Civita

De lixão, à praça da sustentabilidade!

Com a Praça Victor Civita, terreno contaminado é recuperado e revitaliza espaço público, com grande número de equipamentos de lazer e exercícios. Programas da praça incluem atividades educativas voltadas à reciclagem e à proteção ao meio ambiente.

Um grande deque sustentado por estrutura metálica impede o contato com o solo contaminado. A Praça possui uma área verde com cerca de 80 árvores; um palco para espetáculos com arquibancada coberta para 300 pessoas; equipamentos de ginástica ao ar livre; pista de caminhada e centro de convivência para a terceira idade.

> Projeto arquitetônico: Levisky
Arquitetos | Estratégia Urbana
> Área construída: 2.650 m²
> Área do terreno: 13.648 m²
> Aço empregado: ASTM A572 GR50
> Volume do aço: 135 t
> Projeto estrutural: Heloisa
Maringoni / Companhia de Projetos
> Fornecimento da estrutura metálica:
Jodi Estruturas Metálicas
> Execução da obra: Even Construtora
> Local: São Paulo, SP
> Data do projeto: 2006/2007
> Conclusão da obra: 2008

Em parceria com o Instituto Abril, a Prefeitura de São Paulo inaugura a Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade. Instalada no terreno onde funcionava o antigo incinerador de Pinheiros, a Praça é um presente à cidade que ganha não apenas uma nova área de lazer, mas também a recuperação de um espaço degradado por anos de acúmulo de resíduos tóxicos.

O projeto teve início em 2006, quando a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Abril, assessorados por Levisky Arquitetos, firmaram parceria para viabilizar a recuperação do antigo incinerador. Como tantas outras propriedades industriais, o terreno encontrava-se em profundo estado de degradação, exemplo do grande desafio urbanístico que as grandes metrópoles enfrentam.

Com base nessa questão, Adriana Levisky e Anna Dietzsch criaram um projeto com soluções que se apropriam da temática de modo positivo, focando o problema e ao mesmo tempo mostrando como superá-lo. As arquitetas buscaram utilizar, tanto quanto possível, alternativas ecológicas e sustentáveis para a Praça Victor Civita.

O escritório utilizou o aço de forma intensiva para criar uma estrutura suspensa sobre o terreno contaminado pela incineração de medicamentos e pelo armazenamento de lixo.

“O aço fez parte de todas as edificações, desde a fundação e estruturação do piso da Praça, passando pelas novas instalações e até as intervenções nos elementos estruturais existentes”, destaca a arquiteta Adriana Levisky.

A Praça Victor Civita está instalada em uma área com mais de 13,6 mil m2, no qual um deque de 1.800 m2 dá acesso a várias edificações: uma arena coberta para eventos, ao Museu da Reabilitação, implantado no edifício do antigo incinerador, ao Centro da Terceira Idade, à Oficina de Educação Ambiental, ao Núcleo de Investigação de Águas e Solos subterrâneos e à Praça de Paralelepípedos. As atividades realizadas nestes equipamentos contribuem para a diversificação do uso público do espaço e para a disseminação de conhecimentos ligados à sustentabilidade.

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De acordo com a arquiteta, devido ao uso anterior do local e pelo fato de cinzas contaminadas do incinerador terem sido ali enterradas, não era possível remover os materiais e o contato com o solo deveria ser mínimo. Na verdade, foi preciso isolar o solo contaminado com uma nova camada posta sobre a anterior. A área também contava com árvores de raízes espalhadas e um solo característico da várzea do Rio Pinheiros. Devido a estas circunstâncias, a Praça teve uma característica única: configura uma plataforma elevada flutuando sobre o solo, sem no entanto tocá-lo. Para isso, foram utilizadas estacas e vigas metálicas.

“Os caminhos do deque de madeira se conectam ao piso elevado de concreto, também sobre estrutura metálica, e no mesmo nível, levando às demais edificações e complementando o programa de atividades da Praça”, explica Adriana Levisky. Segundo ela, a estrutura em aço facilitou tanto a modulação do projeto, quanto o apoio do deque de madeira, material escolhido para a maior parte do piso. Para os elementos arquitetônicos sobre a Praça, a arquiteta destaca a obtenção de grandes vãos e formas arquitetônicas diferenciadas com o uso do aço.

A cobertura do auditório tem vão livre de 10,5 m e balanço frontal de 6,3 m. Já a arquibancada tem cobertura com vão livre de 20 m e 6,5 m de balanço frontal. Em ambas foram utilizadas treliças compostas por perfis tubulares, com diâmetros de 168 mm e 88 mm, e perfis de chapa dobrada. Na estrutura do deque foram utilizados perfis laminados com alturas de 150 mm e 250 mm. Por fim, os  abrigos têm balanços de 3,3 m, compostos por perfis de altura variável e perfis de chapa dobrada. Além destes, os demais edifícios receberam reforços e complementos, tais como escadas e mezaninos em aço.

Paisagismo

Além de todas as interferências do ponto de vista técnico para a recuperação do terreno e instalação de um espaço público sustentável, o projeto paisagístico também foi elaborado de acordo com princípios rigorosos. Assinado pelo
arquiteto paisagista Benedito Abbud, baseia-se no Termo de Referência para a recuperação de áreas degradadas, desenvolvido pelos órgãos ambientais da Prefeitura de São Paulo.

Em toda a Praça foram plantadas diferentes espécies originais da flora paulista. O local dispõe, ainda, de espaço para compostagem e uma horta circular, atividades que integram o programa de educação ambiental realizado com crianças e exibido ao público. Também integra o programa o plantio de culturas, a exemplo do algodão e do milho, acrescido de outras questões como as relativas à eficiência energética.

O projeto foi elaborado a partir de premissas sustentáveis visando a redução de entulho, baixo consumo de energia, utilização de materiais reciclados, legalizados e certificados, reuso de água, aquecimento solar e manutenção da permeabilidade do solo. Abaixo, imagem do deque que se estende na diagonal do terreno, propondo um percurso que enfatiza a perspectiva natural do espaço e convida o usuário a percorrer os caminhos da Praça. Os percursos oferecidos no Museu Aberto, com proposta extremamente educativa, trazem informações sobre as técnicas e tecnologias adotadas no projeto, bem como soluções de recuperação e remediação de áreas contaminadas.

Como o casco de um grande barco, o deck se desdobra do plano horizontal ao vertical com formas curvilíneas, criando ambientes que se delimitam pela tridimensionalidade da forma, grandes “salas urbanas” que diversificam e incentivam o uso público do espaço.

Este deck, suspenso a aproximadamente 1,00 m do nível do piso existente, leva o usuário a um passeio pelo conhecimento de processos ligados à sustentabilidade, como a certificação da madeira, laboratório de plantas com espécies em pesquisa para produção de biocombustíveis, hidroponia, renovação de solos, fitoterapia e engenharia genética. Também conduz ao conhecimento de sistemas orgânicos para o reuso de águas pluviais e servidas, adotados no funcionamento da praça, além do racionamento energético alcançado com a utilização de placas solares.

Sustentabilidade econômica

Através de parceria público-privada, a gestão privada viabiliza a transformação e reabilitação do espaço para uso público. Usos públicos, como espetáculos, exposições e cursos, tornam o empreendimento auto-sustentável. A gestão da praça ocorrerá com a participação de parceiros “Amigos da Praça”.

Sustentabilidade cultural

O projeto busca usar o espaço como catalisador de desenvolvimento comunitário, cultural e educacional, oferecendo acesso a programas como a Arena Coberta, os Museus da Reabilitação, o Centro da Terceira Idade, a Oficina de Educação Ambiental, o Núcleo de Investigação de Solos e Águas subterrâneas, a Praça de Paralelepípedos e o Museu Aberto da Sustentabilidade. Para isso conta com a parceria de instituições como Verdescola, CETESB, GTZ e MASP.

Sustentabilidade Ecológica

Através da parceria com instituições como o IPT, CETESB e GTZ, a Praça Victor Civita apresenta uma oportunidade de investimento na pesquisa de temas ligados à sustentabilidade, como a certificação da madeira, laboratório de plantas, uso de sistemas orgânicos para a reciclagem de água e racionamento energético.

DESENHOS TÉCNICOS:

FOTOS:

Característica principal do projeto

Praça-museu: fruto de parceria público-privada firmada através da arquitetura como ferramenta de consolidação de termo de cooperação. Projeto propõe a reabilitação de área contaminada a partir da implantação de deck de madeira legalizada sobre estrutura metálica reciclada configurando percursos educativos sobre tecnologias sustentáveis; sistemas de reuso de água; energia solar; produção de bio‐energia; processos de descontaminação de solos e águas subterrâneas.

Fontes:

Arcoweb - Praça Victor Civita: Museu Aberto da Sustentabilidade, disponível em : http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/levisky-arquitetos-associados-praca-victor-17-06-2008.html


Extraído de Revista Arquitetura e Aço, uma publicação do CBCA (Centro Brasileiro de Construção em Aço), pela Editora Roma  - Revista Arquitetura e Aço, Edição 30 - Especial Construção Sustentável - Junho/ 2012 Para saber mais acesse: http://www.cbca-acobrasil.org.br/ Acesse as publicações gratuitas em http://www.cbca-acobrasil.org.br/revista-arquitetura-e-aco.php

Vitruvius - Praça Victor Civita: Museu Aberto da Sustentabilidade, disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/09.106/2983

Archdaily Brasil - Praça victor Civita, disponível em: http://www.archdaily.com.br/10294/praca-victor-civita-espaco-aberto-da-sustentabilidade-levisky-arquitetos/

BATE PAPO COM JAIME LERNER – ARQUITETO E URBANISTA

Para quem não pôde acompanhar a visita de Lerner a São Paulo e participar deste bate papo, trago algumas falas do arquiteto e urbanista para elucidar o que fora a conversa, que ocorreu hoje, 28 de fevereiro de 2012, no edifício sede da Fiesp, na Avenida Paulista.

“Cidades não são problemas. Cidades são a solução.”

“Você pode melhorar a vida de uma cidade em menos de três anos, se você tiver uma boa equação de co-responsabilidade.”

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“Visão estratégica e estrutura urbana”

“A cidade pode ser comparada a uma tartaruga. A tartaruga é uma estrutura de vida, trabalho e movimento juntos. Ao mesmo tempo, o casco representa uma tecitura urbana. Se nós cortássemos o casco da tartaruga, é como separar as funções em uma cidade, separando as pessoas, separando as funções. E separando as pessoas por renda, religião, crença, nós estamos matando a tartaruga. O outro personagem nesse livro da cidade é um automóvel, é um convidado de uma festa que não quer mais ir embora e que bebe muito, e tosse muito, e ao mesmo tempo é muito exigente, transporta pouca gente e cada vez mais obras são exigidas. O automóvel é como a nossa sogra, temos que ter boas relações com a nossa sogra, mas não deixarmos que ela tome conta das nossas vidas. E se a única mulher da nossa vida é a nossa sogra, algo está muito errado.”

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“84% dos deslocamentos em São Paulo é pela superfície. Então temos que melhorar a superfície.”

“É necessário as vezes ousar nas coisas mais simples.”

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“Um rapaz do The New York Times me perguntou o que era o sistema de transporte de Curitiba. Eu respondi: pista exclusiva, embarque rápido, e espera de menos de um minuto.”

“O importante é que a pessoa com necessidades especiais utilizem o sistema como qualquer outra pessoa.”

“É chegado o momento de nós darmos espaço para uma mudança de itinerário de rotina, não usando o carro, e pensar em outros sistemas. “

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“As vezes uma pedreira pode ser uma ferida na natureza, mas com o tempo ela pode ser parte da natureza.”

“Poderia citar aqui princípios de sustentabilidade: Use menos o carro. Não é tão difícil, e isso vai forçar a cidade a pensar melhor os sistemas de transportes públicos. Separar o lixo. Porque é fundamental. Morar mais perto do trabalho. A sustentabilidade é uma equação daquilo que a gente poupa e o que a gente desperdiça”

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“Os espaços na cidade deveriam ter papeis diferentes nas 24 horas.”

“O problema  para a copa é a logística aérea e mobilidade urbana. A coisa mais fácil em um dia de jogo é redirecionar a frota de veículos. Existe uma forçada de barra em criar coisas inúteis. Para que destruir um estádio e reconstruir outro, para usar uma vez?”

“Não podemos construir coisas que serão usadas uma, duas ou três vezes por ano. Temos que direcionar esforços para resolver problemas do nosso cotidiano.”

“A cidade como retrato de família. Você não rasga um retrato de família, porque esse retrato é você. Vai se acentuando referencias importantes.  É a questão da identidade e da sócio-diversidade.”

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“É importante  fazer rápido um projeto para evitar a burocracia própria. Segundo, uma vez feita a discussão, tem que se iniciar imediatamente, e terceiro, quando temos uma ideia tão boa, achamos que não é nossa, e desistimos.  A criatividade começa quando você corta um zero do orçamento, a sustentabilidade quando você corta dois zeros do orçamento.”

“As vezes uma intervenção, rápida e pontual, pode criar uma nova energia que facilita o planejamento urbano, o que eu chamo de acumpuntura urbana. “

“Basta de obras, queremos promessas. Queremos sonhos. Quando promomos sonhos, e as pessoas entendem o sonho, elas fazem acontecer.”

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“Quando tomei o mandando como prefeito, uma comunidade de um bairro me pediu para não fazer nada naquele local. Não consegui trabalhar naquela tarde e pedi que o meu assessor de obras fosse até o local e descobrisse o motivo. Ele voltou e me disse que no local havia um olho d’água e que estavam com medo das máquinas, dos tratores, tamparem o olho d’água. Expedi meu primeiro despacho como prefeito ao secretario de obras dizendo: Não fazer nada, com urgência.”

“A gente está se afastando da visão simples das coisas. Esse ridículo do modismo e do excesso. A gente tem que ter a coragem de exercer uma ética sem dogmas, a gente tem que ter essa coragem de se enganar. Mas eu vejo que cada vez mais estamos complicando as coisas simples, explicações muito demoradas, e quando é a cidade ou a vida de uma comunidade, não é tão complexo assim.”

“A cidade não é tão complexa quanto os vendedores de complexidade querem nos fazer acreditar.”ImagemImagemImagemImagem

“Uma cidade onde existe a diversidade, e onde um presta serviços para o outro a tendência é reduzir-se a violência.  Quanto mais as pessoas usarem a cidade menos violência a cidade terá.”

“Quanto mais alto o muro, mais gente vai te esperar na hora da saída”, sobre os condomínio fechados e a não participação do cidadão como parte da cidade.

“As pessoas conseguem apreciar o que está sendo exposto, o que está sendo demonstrado? Se o equipamento é colocado de uma maneira obrigatória não será aceita, mas quando as pessoas fazem junto, é outra coisa. Todo mundo está envolvido diariamente com o ato de criar. Uma das coisas que mais me empolga é notar que quando as pessoas estão fazendo o bem para alguém, de certa maneira elas resistem mais às dificuldades.”

INICIANDO UM ESTUDO DE CASO

ROTEIRO BÁSICO COM OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS

PARA UM ESTUDO DE CASO


Além da capa e sumário (índice), precisamos inserir uma lista de figuras que compreenderá todas as imagens colocadas no seu estudo de caso, inclusive da capa se tiver. caso possua alguma tabela no trabalho, esta deverá ser inserida na lista de tabelas.

Deste ponto, precisamos de um resumo (ideal não ultrapassar 500 palavras). Este resumo tratará de qual objetivo você pretende com o trabalho. Bem resumidamente, o que você vai apresentar (análise arquitetônica e/ou urbanística geralmente), qual a obra e sua breve localização.

Junto ao resumo, colocamos de 3 a 5 palavras-chave, para o caso de seu trabalho ir para o meio digital, assim poderá ser localizado em pesquisas na internet e no computador.

A seguir, passamos à introdução, onde colocaremos a importância, a relevância daquele estudo em específico. Você poderá também, colocar um breve roteiro daquilo que vai ser visto pelo leitor no seu estudo de caso, mas sem maiores detalhes. Coloque o objetivo e a metodologia utilizada para se chegar ao resultado final do seu trabalho.

Já no desenvolvimento (este poderá ser dividido em quanto capítulos forem necessários), podemos começar abordando o conceito do tema escolhido para estudo de caso. Veja um exemplo: Estudo de Caso – Museu de Arte de Milwaukee. No caso citado, o tema é MUSEU. Qual o conceito de museu? Qual a importância de um museu? Quais os principais e mais antigos museus? Quais os mais novos e quais ficam em Milwaukee? Qual o acervo daquele museu e como ele está exposto (nos expositores e no ambiente)?

Deste ponto, partimos para a obra escolhida. Analise sua inserção urbana. Sua inserção volumétrica, seu gabarito, seu estilo, a inserção em relação aos eixos viários e/ou visuais. O seu uso e ocupação no terreno. Todos esses itens relacionando-os com os edifícios do entorno.

Fale sobre o contexto da obra: porque ali e naquele momento?

Comente um pouco sobre o arquiteto: sua vivência, suas experiências acadêmicas e profissionais mais relevantes. Suas influências.

Analise o contexto temporal da obra com o contexto temporal do arquiteto: o que ele vivenciava na época de construção daquele edifício, quais eram suas influências naquele período.

Analise o programa do edifício, pavimento por pavimento, modulação estrutural, circulação, iluminação, ventilação, vãos de caixilharia na fachada, técnica construtiva, materiais compositivos do edifício, etc.

Produza uma análise crítica baseada em seus conhecimentos técnico-científicos. Interprete o edifício e o porque de cada elemento relevante. Introduza no trabalho, plantas, cortes, elevações, perspectivas, perspectivas explodidas, detalhes construtivos, dentre outros.

Relate a importância daquela obra, a relevância como contribuição arquitetônica, suas semelhanças com outras obras (do arquiteto ou não), e os elementos que transformam o edifício numa obra única.

Para a conclusão resuma seu trabalho, procurando não utilizar as mesmas frases, mas sintetizando todo o conteúdo do trabalho em uma ou duas páginas no máximo, e expondo o resultado alcançado.

Pode-se colocar uma impressão pessoal sua na conclusão, pois este item diz respeito único e exclusivamente ao seu entendimento sobre a obra, à analise que você fez, que poderá, com certeza, diferir da análise a partir da leitura do estudo de caso por terceiros.

A bibliografia deve evitar conteúdos de sites de manipulação de todos, onde qualquer um pode alterar o seu conteúdo. Procure saber quem escreve o artigo, consultando sobre o autor, e tomar referências com seus docentes sobre onde localizar uma bibliografia boa e confiável.

As citações de referências bibliográficas devem seguir o padrão da NBR 10520.

Exemplo:

SOBRENOME, Fulano de Tal. Título do Livro. Cidade: editora, ano

FORMATAÇÃO

Informações Básicas

Sempre em folha A4 branca (210 x 297mm) digitado em apenas uma face.

Fonte: Arial 12

Margens: Superior – 3cm/ Inferior – 2cm/ Esquerda-3cm/ Direita – 3cm

Espaçamento entre parágrafos: Duplo

Para saber mais*:

NBR – 6023 – Elaboração de referências
NBR – 10520 – Citações em documentos
NBR – 14724 – Trabalhos acadêmicos
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Para saber mais:
http://www.monografia.net/abnt/index.htm
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