Posts Tagged ‘ Emissão de carbono ’

Refugiados das Mudanças Climáticas

REFUGIADOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

 

1.Os modelos climáticos

 

Sabemos quais são as consequências das mudanças climáticas, mas não quando e com qual intensidade elas irão nos atingir. Para isso, temos uma importante ferramenta desenvolvida pelos pesquisadores do clima: são os modelos científicos climáticos.

Um modelo científico climático é um sistema, geralmente computadorizado, onde são inseridos dados colhidos de tempos em tempos sobre as alterações do clima. Com esses dados, o computador estipula um resultado para daqui a algum tempo.

O modelo científico produz uma representação gráfica que ajuda a analisar e predizer fenômenos ou processos nas mudanças do clima.

IPCC_model_vs_obs

A comparação entre os resultados do modelo e observações

http://www.skepticalscience.com/translation.php?a=15&l=10

 

Através de dados colhidos, são produzidos relatórios gráficos e legendas sobre futuros acontecimentos, em uma data determinada para o sistema calcular.

Porém, os modelos climáticos podem sofrer alterações nos resultados se houver alguma intervenção na base dos dados. Uma pequena alteração em um dos dados inseridos pode resultar em amostras totalmente diferentes.

No mundo hoje há poucos países que lideram as pesquisas em modelagem climática. A maioria deles no hemisfério norte do planeta. A Austrália era o único país do hemisfério sul que possuía essa capacidade, mas abandonou seus esforços e optou por adaptar um modelo britânico existente.

O Brasil acaba de ocupar esse espaço vazio através do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia para Mudanças Climáticas. Os modelos apresentados por outros países levam em consideração apenas características próprias do hemisfério norte do globo. A contribuição brasileira trará novos dados sobre o hemisfério sul e em particular sobre a América do Sul, e que fará parte no futuro, de um sistema único mundial. Além disso, o país deu um importante passo, com a capacidade de prever a extensão do gelo marinho em qualquer parte do planeta.

Esses modelos poderão nos dizer que populações serão mais atingidas, quando e com que intensidade, fazendo com que governos tomem as medidas cabíveis para o deslocamento e abrigo dos habitantes de áreas afetadas.

 

2.As migrações forçadas

 

Em fevereiro de 2014, o vulcão Sinabung, na Indonésia, entrou em erupção. Como resultado, cerca de 100 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, mas voltando depois de algumas semanas.

 

_72694398_volcan

Um vulcão entrou em erupção na ilha indonésia de Sumatra, engolindo aldeias em cinzas e matando pelo menos 14 pessoas.

Monte Sinabung expeliu gás quente, cinzas e rochas a 2 km (1,5 milhas) para o ar em uma série de erupções durante uma manhã.

http://www.bbc.com/news/world-asia-25999333

O Que acontece é que os desastres naturais afugentam as pessoas por um certo tempo até o ambiente se restabelecer, enquanto os desastres ou efeitos das alterações climáticas de longo prazo acabam por resultar em migrações permanentes.

Entre as principais causas de deslocamento permanente dessas populações estão o aumento da temperatura e a variação nos índices de chuva. Isso ocorre quando uma população é dependente da criação de gado ou da agricultura, e com a falta de chuva, ocorre a desertificação de algumas áreas do planeta, impossibilitando colheita ou pastagem para gado.

As populações de lugares afetados pelas mudanças climáticas não acreditam que os desastres provenientes dessa alteração vá passar, como a erupção de um vulcão por exemplo, ou uma tempestade tropical. Essa migração já é vista nos pequenos países insulares do Pacífico Sul, que já negociam uma migração definitiva para a Nova Zelândia, por causa de mais uma consequência das mudanças climáticas, o aumento do nível do mar.

Na Indonésia, país que sofre bastante com as consequências das mudanças climáticas, cerca de 40% da população depende da agricultura e muitos vivem em regiões costeiras, altamente vulneráveis ao aumento do nível do mar.

 

2014-03-07T153859Z_1435834856_GM1EA371RZ202_RTRMADP_3_CLIMATE-DROUGHT-MIDDLEAST

Os efeitos da mudança climática pode gerar imigração. Até 15% das terras aráveis ​​no mundo

poderão ser perdidas,com 5 milhões de pessoas afetadas.

http://www.portugues.rfi.fr/geral/20140331-mudancas-climaticas-elevam-riscos-de-fome-e-de-conflitos-diz-ipcc

 

A desertificação no norte da África também está provocando a migração de milhares de pessoas que estão indo para o sul da Europa. Neste caso, a resistência a receber os africanos ainda é uma barreira, pois eles aceitam trabalhar em condições desfavoráveis, o que prejudica o emprego da população local.

O aumento da temperatura da água do mar também provoca migração de populações costeiras que vivem da pesca. A água ais quente faz com que o nível de CO2 e a acidez dos oceanos amente, afugentando ou matando espécies de peixes que eram a principal fonte de economia local.

 

3.Impactos ambientais das migrações

De acordo com o Institute for Public Policy Research, o impacto das migrações podem afetar 8 dimensões dentro de uma sociedade:

 

-Economia                                       -Gênero                                       -Assistência

-Ensino                                             -Social                                         -Ambiental

-Saúde                                               -Governo

 

Vamos descrever o impacto sobre o meio ambiente em 3 itens:

a-Comportamento ambiental individual – os imigrantes e repatriados podem desenvolver, no país que os acolhe, a conscientização relativa aos desafios ambientais e levar a população local a um comportamento adequado mostrando através deles mesmo, os impactos das mudanças climáticas.

b-Política ambiental governamental – pressão dos imigrantes sobre o governo local para que promovam a sustentabilidade ambiental, já que mais recursos serão consumidos por uma população maior.

c-Tecnologias – os imigrantes podem introduzir e difundir tecnologias que afetam o meio ambiente, de forma positiva ou negativa, capazes de reduzir ou provocar mais poluição. Isso dependerá de o quanto a imigração foi sentida por eles.

 

4.Em quanto tempo deve ocorrer a imigração?

Não há um parâmetro geral de imigração que possa ser adotado para todos os prejudicados. O tempo necessário para evacuar uma grande população é diferente do tempo restante que ela tem para deixar o lugar.

Vamos falar por exemplo, de grandes áreas que estão sofrendo com o aumento do nível do mar. É lento, mas ocorrerá com certeza a perda de vilas e costas inteiras, mas aquela população tem tempo para se planejar e se deslocar.

Outras áreas sofrem com tempestades cada vez mais frequentes, como algumas cidades históricas de Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no Brasil. Vilas que repousavam sob encostas de morros estavam vindo abaixo, desmoronando. Sem a estrutura firme dos morros, não havia possibilidade de reocupação ou de retorno. Neste caso, a migração foi feita em pouco tempo com acontecimentos rápidos e catastróficos.

Então são necessários 2 tipos de planejamento : de longo prazo (meses até décadas) para retirada de populações, incluindo sua inserção e repatriamento em outras localidades ou nações e outro, de curto prazo, para eventos catastróficos que exijam evacuação imediata sob risco de morte das pessoas presentes.

05-31-hcr-swr-2012

Áreas ocupadas irregularmente por refugiados climáticos podem sofrer de síndrome de favelização,

com falta de sanemanento básico, comida e água. Além do qual, há uma expansão de vetores de doenças.

http://www.onu.org.br/rio20/tema/mudancas-climaticas/

5.O destino dos refugiados das mudanças climáticas

Se uma nação possui uma grande extensão de terra, é bem provável que algumas áreas sejam mais afetadas pelas mudanças climáticas que outras. Então é possível que não seja necessária a migração para outro país, visto que acarretaria em uma dificuldade de adaptação maior.

Claro que a população sentirá uma grande mudança em sua rotina, mas ainda se sentirá em casa permanecendo em seu país de origem, o que lhes dá certa segurança e conforto para transpor os obstáculos da adaptação.

Quando tratamos de pequenas localidades, como os países insulares do sul do Pacífico, os eleitos das mudanças climáticas são sentidas em todo o território, do aumento do nível do mar até as tempestades ou ondas de calor e seca/ desertificação.

Então neste caso, recorremos a um deslocamento que envolve repatriamento em outro país. O ideal é seguir para um país de mesmo idioma, e que necessite de mão-de-obra. Tratarei a questão da mão-de-obra mais adiante.

 

6.Responsabilizando os emissores de CO2

Apontar responsáveis pelas mudanças climáticas é apontar para os países mais poluentes. Se eles devem ser responsabilizados pela migração de populações inteiras que sofrem os efeitos do clima?

Estudamos neste curso a questão da soberania, que trata de um país decidir o que acontece dentro do seu território. E quando a sua economia passa a prejudicar o clima global e afetar outras populações?

A obrigatoriedade de resposta a isso nunca virá de boa vontade por parte dos USA, China, Inglaterra e outros poluidores em potencial. Estão aí os acordos, inclusive econômicos envolvendo o comércio de emissão de carbono, em que esses países pagam pela poluição. Esses valores podem ser revertidos à países que recebam os imigrantes refugiados, a fim de evitar maiores impactos em sua economia.

Há grandes emissores de poluentes com grandes extensões de terra e que poderiam abrigar os refugiados das mudanças climáticas sem se preocuparem com a sobrecarga de seus centros urbanos, uma vez que poderiam criar novos núcleos urbanos planejados, geradores de emprego e renda e que contribuam com a economia local, dentro lógico, de um conceito de cidade sustentável.

A decisão de quem deve receber os refugiados deve partir de cada país emissor e do quanto eles acreditam serem os responsáveis pelo deslocamento desses povos devido às mudanças climáticas.

Contudo, além de ceder território para refugiados, há uma análise que envolve a autonomia de deslocamento deles, se eles terão capacidade de realizar sua própria mudança, o que vai acontecer provavelmente para uma grande distância. Por questões econômicas, muitas populações não teriam condições financeiras de sair sequer de sua localidade, tampouco para outra nação.

Acredito, e isso é uma opinião pessoal, que os países mais poluentes devem ser acrescidos de uma taxa por emissão de carbono que seja utilizado não para a mitigação, quando não é mais possível, mas sim para adequar a migração dos refugiados, incluindo planejamento de núcleos de moradia, saneamento e investimentos em geração de emprego e renda.

No entanto, quando falamos de repatriamento dessas pessoas, observamos que haverá muita diferença social, e até mesmo de tolerância por parte da população local. Isto é o receio de que esses novos habitantes venham a ocupar cargos de empregos que antes se destinavam apenas aqueles moradores nativos.

Quando o abrigo dos refugiados é feito por um país grande poluente, os direitos igualitários de moradia e emprego devem ser assegurados, assim como possuíam em sua terra natal. É quase um dever dos grandes emissores de carbono remediarem de forma digna as consequências sentidas pelos imigrantes.

Nos países menores, ou menos poluentes, e que abriram suas fronteiras para os refugiados de situações de mudanças climáticas, encontraremos com certeza conflitos entre a mão-de-obra local e a recém chegada.

Da parte de se tornar um legítimo repatriado, devem incluir o direito ao voto, que fará muita diferença se os imigrantes pesarem na contagem dos votos e puderem escolher candidatos políticos que possuam uma visão ambiental sustentável.

7.Os impactos econômicos da migração

Vamos primeiro listar alguns impactos econômicos devido à migração nos países que estão à perder a sua população. De acordo com a organização Observatory on MIgration, o deslocamento de parte da população pode apresentar resultados vezes positivos e vezes negativos, a saber:

-Falta de mão-de-obra: ao passo que pode haver escassez de mão-de-obra, a que estiver disponível receberá maiores investimentos, com acentuado aumento de salário. Porém, se uma parcela da população restante não possuir habilidades específicas, poderá aquele país a ser afetado em sua agricultura, pesca e pecuária, principal fornecedores de alimentos.

-Falta de investimento: empresas podem fechar as portas, o PIB despencará e haverá falta de postos de trabalho ou redução salarial (ou aumento para manter a mão-de-obra ou a redução para evitar falência).

-Mudança econômica: com postos de trabalho em aberto, pode haver a mudança na área de atuação.

Para os países que estão a receber os imigrantes, os índices econômicos do Observatory nos mostram impactos nos seguintes itens:

-Desemprego: o país receptor pode perceber um aumento no desemprego da população nativa, uma vez que os imigrantes aceitam a trabalhar em condições mais desfavoráveis e por salários mais baixos.

-Aumento nas taxas de consumo: o mercado de consumo observará um crescimento no número de pessoas economicamente ativas, advindo dos imigrantes.

-Mudança estrutural econômica: a migração de povos pode promover a atividade econômica capitalista, como alternativa e transição de uma economia de subsistência para uma econômica monetária.

-Aumento do PIB: considerando já uma porcentagem dos imigrantes egressos no mercado de trabalho, vemos um aumento no fluxo das movimentações econômicas internas e aumento do PIB do país receptor.

-Aumento na taxa de tributações: com o aumento no índice de compra de bens de consumo, há uma elevação nas taxas, embora isso dependa da politica econômica adotada pelo país receptor.

Todos os fatores apresentados levam em consideração o deslocamento permanente, o que de fato implica em permanentes alterações econômicas e ambientais.

Concluímos que os maiores impactos serão sentidos na economia, vezes de maneira positiva, outra negativa, seguido de impactos na adaptação dos refugiados que devem receber todo o apoio para seu deslocamento e assentamento com dignidade e conforto.

 

assentamento-03

Pesquisadores defendem política internacional para o deslocamento de populações ameaçadas pelas mudanças climáticas e o reconhecimento oficial da categoria de refugiado do clima. Estimativas da ONU apontam que até 2050 o mundo terá 250 milhões de migrantes climáticos.

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/10/mais-atencao-aos-migrantes-climaticos

 

Quanto a nós, devemos ter a conscientização que, se fazemos parte desse sistema de nações com alto índice de emissão de carbono, devemos ter a tolerância e ajudar na adaptação das pessoas refugiadas devido aos impactos no clima, provocados pelos nossos hábitos e costumes com relação ao meio ambiente.

 

http://www.archdaily.com.br/br/01-126374/a-influencia-das-mudancas-climaticas-sobre-a-pobreza-urbana
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/10/mais-atencao-aos-migrantes-climaticos
http://www.onu.org.br/rio20/tema/mudancas-climaticas/
http://www.skepticalscience.com/translation.php?a=15&l=10
http://www.acpmigration-obs.org/sites/default/files/PT-Indicators.pdf
http://www.tv-justica.blogspot.com.br/2010_09_05_archive.html
http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=729327
http://www.undp.org/content/dam/undp/library/Environment%20and%20Energy/Water%20and%20Ocean%20Governance/Oceans%20and%20Coastal%20Area%20Governance/PublicationFINAL1.pdf
http://www.nossofuturoroubado.com.br/arquivos/fevereiro_10/impacto.html
http://www.actoncopenhagen.decc.gov.uk/en/ambition/evidence/4-degrees-map/
http://tcktcktck.org/
http://www.theclimategroup.org/_assets/files/DECC-International-Climate-Change-Action-Plan.pdf